Depressão, Doenças e Envelhecimento

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A depressão é o transtorno mental mais frequente na população geral e associa-se à inúmeras condições médicas, como doença coronariana, diabetes, demência, câncer e muitas outras ligadas à grande mortalidade.
Entre indivíduos com doenças crônicas e mais de 55 anos de idade, os que possuem depressão maior tem uma taxa de mortalidade quatro vezes superior a indivíduos não deprimidos, e menos da metade destes procura alguma forma de ajuda médica.
A proporção de pessoas idosas tem aumentado progressivamente em todos os países desenvolvidos e em desenvolvimento, e doenças como depressão e as crônico-degenerativas são altamente prevalentes dentre esta população. Para se entender o impacto das mesmas na vida dos indivíduos afetados, muitos estudos devem ainda ser estabelecidos, uma vez que a depressão é uma doença complexa, assim como também o é o estabelecimento do seu diagnóstico.
Envelhecimento não é sinônimo de doença, incapacidade e dependência. No entanto, estas ocorrem com maior frequência na pessoa idosa como consequência de disfunções, que levam a um aumento da susceptibilidade e da fragilidade do indivíduo. Investigações mostram que pacientes idosos internados que apresentam depressão associada à doença física tendem a evoluir de forma menos satisfatória, com mais longo tempo de permanência no hospital e maior mortalidade.
A depressão já foi citada por inúmeros autores como causa de comprometimento da memória, com diminuição da capacidade de concentração e raciocínio, constipação, perda de peso e desnutrição ou obesidade, fadiga, disfunção erétil e está relacionada à doença de Parkinson, acidentes vasculares cerebrais, angina e infartos do miocárdio, osteoartrite, doença pulmonar obstrutiva crônica, e outras, estando entre as principais doenças mentais que atingem o idoso, desencadeando importantes repercussões sociais e individuais.
Depressão não é apenas uma tristeza passageira diante de um fato adverso da vida. O indivíduo apresenta uma tristeza profunda e duradoura, acompanhada de desânimo, apatia, desinteresse, incapacidade de desfrutar os prazeres do dia a dia. O indivíduo deprimido não se interessa pelas atividades diárias, tem distúrbios do sono, do apetite, queixas vagas como fadiga, dores nas costas, dores de cabeça, dores articulares e outras. Podem surgir pensamentos “ruins”, como se algo fosse acontecer a si ou a pessoas próximas, sentimentos de culpa, inutilidade ou desesperança. Nos casos mais graves podem surgir idéias de suicídio.
Acredita-se que vários fatores – biológicos, psicológicos e sociais – atuando concomitantemente levem à doença. Sabe-se que na depressão existem alterações no equilíbrio dos sistemas químicos do cérebro, principalmente dos neurotransmissores serotonina e noradrenalina. No entanto, inúmeros preconceitos e tabus, frutos do desconhecimento e o temor em relação à possibilidade de possuir uma doença mental, faz com que muitos indivíduos não procurem auxílio médico e muitos diagnósticos deixem de ser feitos. Em relação ao idoso, existe ainda a ideia arraigada de que a depressão é um fato “normal” da velhice, decorrente das possíveis perdas ao longo do processo de envelhecimento. Vale reforçar então, que depressão é doença, e como tal deve ser tratada, sob o risco de somarem-se a ela ou agravarem-se inúmeras outras patologias, o que certamente levará a um encurtamento da vida ou impedirá uma vida com melhor qualidade.

Dra. Eliane Beuren, MD, PhD
Geriatra, Médica do Trabalho e Clínica Geral.
clinicabeuren@terra.com.br

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